Comece pelo fim
- THACO. ARQUITETURA E AMBIENTES

- há 4 horas
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Tem uma máxima da Psicologia Positiva que diz: em caso de dúvida na educação do seu filho, comece pelo fim. E, sem querer, sempre foi por aí que eu comecei: pelo “fim”.
Como mãe tardia que sou, tenho muitas amigas com filhas adolescentes, e elas reclamam bastante de que as meninas não ajudam em casa e vivem isoladas no quarto. E, puxando na memória uma delas, lembrei-me de quantas crianças cresceram no chiqueirinho enquanto a casa era cuidada ao redor delas, sem serem convidadas a participar de nada. Ou de quantas vezes ouviam um “depois”, porque os adultos simplesmente não tinham paciência para incluir a ajuda infantil. Pequenas atitudes que parecem bobas vão ensinando, aos poucos, que a criança não faz parte da vida da casa. E isso aparece lá na frente.
Não quero generalizar, claro. Mas a maior parte da nossa infância foi assim, e a vida depois cobrou: sair do quarto, lavar uma louça, enfim.
O ponto é: quais habilidades você quer que seu filho tenha? O que você pode fazer, hoje, para conduzir o caminho dele até esse fim?
Eu sempre prezei por autonomia, autoestima, coragem, leveza e, hoje, estou focada em clareza na comunicação para a minha filha. E, claro, são pontos que me atrapalharam muito na minha própria jornada e que ainda trabalho até hoje, como uma senhora adulta.
Autonomia
Para a autonomia da minha filha, desde o nascimento fui ajustando a casa para cada fase, narrando as tarefas, trazendo previsibilidade de rotina e de espaço, e sempre convidando-a a participar daquilo que ela consegue fazer.
Também uso muito a base da causa e consequência: sujou, limpa; tirou, guarda. Sim, não será perfeito, e eu ainda ajudo, com muito amor, aquilo que fica além do que ela dá conta.
Outra coisa que considero muito importante: não transformo as tarefas em peso. Para lavar a louça, arrumar a cama ou organizar a casa, eu faço demonstrando que isso faz parte da vida e que pode ser leve. Ao lavar a louça, ouço música e converso com ela; ao arrumar a cama, espirro um spray com cheirinho no final. Minha atitude faz com que ela receba as tarefas rotineiras com mais naturalidade — e isso é um convite.
Autoestima
Na autoestima, começo por mim.
Eu me cuido, vou à academia (e às vezes ela vai junto), faço uma maquiagem básica e gosto de me vestir bem. Ela também gosta de se vestir bem e de se maquiar, além de fazer balé e capoeira — tem 4 anos.
E eu incentivo e parabenizo pelas tarefas cumpridas, pelo desenho que evoluiu, pelo zíper que agora aprendeu a fechar. Sempre que ela se frustra, mostro que está no caminho certo, basta continuar tentando e melhorando. E, claro, com presença, olho no olho.
Leveza
A leveza é uma qualidade que eu quero muito para a minha filha.
E eu tento ensinar isso no dia a dia, não só com discurso, mas com prática. Aqui em casa, a gente ri de filmes, ri dos nossos próprios erros, dança pela sala e adora piadas. Eu gosto de mostrar que a vida pode ter responsabilidade, sim, mas sem precisar ser pesada o tempo todo.
Pra mim, humor também educa. Ele aproxima, alivia, acolhe e ensina que errar não é o fim do mundo. Às vezes, é só motivo para dar risada, respirar fundo e tentar de novo.
Coragem
A coragem, da minha parte, é diluir seus medos por pensamentos positivos e por cenários que já deram certo.
Gosto de aplicar — mesmo que ela ainda não entenda — técnicas de visualização e sempre digo: “muda esse pensamento”. Que tal, em vez de um monstro, substituir por um unicórnio?
Agora, a coragem do mundo, da altura, do parque, da exploração… essa fica a cargo do pai dela. Sou a pessoa mais sem coragem para isso.
Clareza
Agora que ela está trazendo muitos mundos externos para perto de mim, algumas comunicações dos seus desejos vêm de forma camuflada, como os adultos fazem. Por exemplo: “Duvido, mãe, que você vai colocar essa música de K-pop”.
Isso me dá calafrios!
A pessoa que não sabe expressar sentimentos e acha que todo mundo tem bola de cristal, para mim, cria relações confusas com o outro e com ela mesma.
Também cansa quem convive com ela, porque fica sempre tentando adivinhar o que foi dito nas entrelinhas. E, muitas vezes, abre espaço para desentendimentos que explodem lá na frente.
Percebeu meu trauma, né? Rsrsrs.
Portanto, eu já nomeio: “Filha, seja clara e diga o que você realmente quer e o que não quer.” Aí, ela corrige a rota.
Sabe, este texto não é para dizer o que é certo e o que é errado. É para fazer um convite a você: liste o que gostaria de despertar no seu filho lá na frente e veja quais ações, no hoje, você escolhe para orientar o caminhar dele até isso.
Eu gosto de estudar em livros, perfis do Instagram e trocas com as minhas amigas. E você, como faz?
A infância constitui o elemento mais importante da vida adulta: o elemento construtor. — Maria Montessori, O Segredo da Infância
Um abraço, de mãe para mãe.


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